. “The price of anything is the amount of life you exchange for it.”  ~Henry David Thoreau

Hoje pela manhã lembrei que em breve farão 6 anos que chegamos à Austrália. Seis anos que às vezes parecem um século, outras vezes apenas 100 dias. Contudo é interessante notar como tudo mudou. Não só eu mudei de endereço por aqui algumas vezes, como tudo que me cerca hoje é completamente diferente do que em volta de minha estava nos meus anos anteriores de Austrália. Amigos mudam (apesar de que os amigos de verdade semprem ficam), lugares mudam, trabalhos mudam e até mesmo a cidade já não é mais a mesma.

Quando cheguei aqui tinha a impressão que todo mundo queria de uma forma desesperadora ficar aqui. Agarravam-se ao solo desta terra e só eram arrancados por uma calamidade ou uma impossibilidade, às vezes as duas coisas quando a impossibilidade se tornava a calamidade. Hoje vejo todo mundo indo ou querendo ir embora. Um dos primeiros amigos brasileiros e que pertence ao grupo de amigos mais próximos que fizemos aqui está se mudando em janeiro para Hong Kong, outro comentou-me há uns dias atrás que estava pensando em ir definitivamente para o Canadá, ainda outro me confessou que está pensando seriamente em ir para Londres, isso sem contar nos montes que voltam ou pensam em voltar para o Brasil.

O que está acontecendo? A Austrália deixou de ser o lugar ideal para toda esta gente? O alto custo de vida estaria espantando esta gente?

Não. Nada disso. Na verdade se você perguntar para cada um deles verá que não há nenhuma razão dramática por trás. O que acontece é que quem larga tudo para mudar de país já tem em si uma pré-disposição à mudanças. É como pular de Bung Jump. A primeira vez você vai todo cauteloso, se prepara e depois de pensar dez vezes em desistir você num impulso se joga. Depois disso não precisa pensar tanto, basta apenas se jogar. Mas não só isso, a medida que se amadurece aqui você passa a notar que a felicidade não está em um lugar em si, mas sim em si próprio. Você acha a Austrália um lugar legal, gosta de viver aqui, ama esta terra maravilhosa que te acolheu e pode até pensar em viver nela pra sempre, mas ao mesmo tempo percebe que a vida continua e ninguém sabe o que esperar do amanhã.

A vida muda o tempo todo. Conheci gente que chegou aqui num visto de estudante e voltou para o Brasil cidadão Australiano casado com uma australiana, como conheço gente que está com 36 anos, há 9 num visto de estudante, fazendo exatamente as mesmas coisas que fazia quando chegou aqui há quase dez anos e não quer voltar de jeito nenhum.

Acho que vi mais coisas na minha vida nestes quase 6 anos de Austrália do que durante toda minha vida. É engraçado olhar pra trás e lembrar das pessoas que conheci, dos amigos que fiz, das coisas que fizemos juntos e pensar que hoje está cada um para um lado diferente. Assim é a vida em outro país. Às vezes vejo gente que está aqui há 15 anos, casado, como filhos, com casa comprada, simplesmente largar tudo e falar que está voltando pro Brasil ou que está indo sabe-se lá pra onde.

Conheci um cara, filho de brasileiros, que nasceu na Austrália e que o pai se mudou para cá nos anos 70. Assim que os pais se aposentaram eles fizeram as malas e voltaram para o Brasil. Fico pensando como alguém pode depois de 40 anos vivendo em um lugar simplesmente vender a casa, fazer as malas e ir embora?

Por outro lado, no caso dos que voltam para o Brasil, temos que concordar que estão voltando para um país muito bom e cheio de facilidades também, principalmente para os mais velhos. O Brasil cresceu muito, crescimento este que só nota quem passou um bom tempo fora e voltou. Problemas tem em todo lugar, o maior o problema é que quem volta para o Brasil, seja de vez, seja em férias, já logo começa a reclamar do trânsito, disso ou daquilo só para parecer importante.

Eu voltei para o Brasil para me casar e rever a família e acabei passando uns 7 meses no Brasil ano passado e achei sensacional. Aproveitei cada dia destes sete meses fazendo coisas legais, curtindo com a família, indo comer nos restaurantes extraordinários de São Paulo, saindo com os amigos, curtindo a descontração brasileira e fazendo algo que é impossível aqui na Austrália: Sair de casa a meia-noite de uma sexta feira ainda sem lugar definido para ir. Lembro-me que às vezes marcava um jantar à 1 da manhã. Aqui na Austrália se não chegarmos no restaurante japonês às 8 nem me dou o trabalho de ir mais, pois as 9 da noite está tudo fechado.

O que quero dizer é que você precisa decidir com qual espírito você vai pra qualquer lugar. Se já vai de guarda levantada pronto para atacar qualquer deslize ou se vai de gaurda baixa pronto para curtir as coisas legais que o país tem.

Hoje li o comentário de uma amiga no Facebook que tinham roubado o carro dela aqui em Sydney. Certamente ela nunca teve o carro roubado no Brasil, mas nem por isso vai sair por ai falando que Sydney não presta e que não vê a hora de ir embora.

O importante é entender que existem fases para tudo na vida, fases boas, fases não tão boas, hora de trabalhar, hora de descansar, hora de conquistar, hora de curtir as conquistas, hora de ficar alegre e de ficar triste… tem tempo pra tudo, o importante é tirar o melhor de cada momento onde quer que se esteja e com quem quer que você esteja, pois como eu disse, na vida tudo passa.

Um dia seus pais podem não mais estar aqui, seus amigos podem ter se mudado, as responsabilidades serem outras, as circunstâncias serem outras e vai chegar um tempo, acredite ou não, que você nem vai ter mais pique para fazer 90% das coisas que você faz hoje. Por isso, é importante aproveitar cada momento de qualquer lugar ou situação em que você se encontrar.

Quando falava para as pessoas que havia passado mais de 7 meses no Brasil a primeira pergunta era sempre: Como você conseguiu? Como conseguiu ficar 7 meses longe da sua casa, sem as suas coisas? Como conseguiu ficar 7 meses morando com a família novamente? No trânsito do Brasil?

A resposta é simples. Eu consegui por que não vi isso como um sacrifício, mas como uma benção. Consegui, pois aproveitei cada segundo lá, seja viajando, saindo com a família, conversando com meu tio avô sobre o passado, indo comer queijo quente na padaria às 2 da manhã, ouvindo as piadas do Gil, o faxineiro do prédio da minha avó, jogando poker com os amigos às 2 da manhã, assistindo tv, trabalhando, indo à igreja, fazendo novos amigos, conhecendo novos lugares, revendo lugares antigos, brincando com o cachorro, fazendo academia, indo correr no parque aos finais de semana, tomando água de coco, comendo a melhor comida japonesa do mundo, rindo todos os dias e até visitando a sogra…rs.

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Praia de Curl Curl a noite

Não foram 7 meses sem lutas, nem tudo saiu absolutamente como planejado, mas assim é a vida, nada nunca é exatamente como planejamos, mas ainda assim lembro com saudade de cada dia que passei ali. Quando eu e a Michelle às 11 da noite decidimos pegar algo para comer aqui na Austrália e só tem o McDonalds aberto, não fico lamentando como era bom poder escolher o que comer à 1 da manhã no Brasil, simplesmente passo no Mc, pego uma promoção por $5.95 e sigo pra praia de Curl Curl, às 11:30 da noite, paro o carro e ficamos curtindo o mar enquanto comemos Chicken&Cheese com batata e coca zero.

Assim é a vida, nem tudo é sempre exatamente como queremos, mas nem por isso a vida tem que deixar de ser boa. O importante é aproveitar o melhor de cada situação.

“A gratidão olha para o passado,  amor olha para o Presente. A avareza, medo, luxúria e ambição olham apenas para o futuro.”
– C. S. Lewis, The Screwtape Letters

PS: A Michelle colocou uma lista de links na aba links ao lado direito como sites importantes para quem está vindo pra cá. A lista será atualizada aos poucos. http://www.brazilaustralia.com/links/

PS 2: Quem tiver um bolg na Austrália ou mesmo no Brasil e quiser trocar links me escreve pela área contato do site que vou criar uma área blogroll na lateral do Blog.

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Jerry Strazzeri
Jerry Strazzeri vive na Austrália com sua esposa desde 2006. Trabalha como Analista Digital na Austrália já tendo trabalhado em empresas no Brasil e Estados Unidos. Cidadão Australiano, junto com seu trabalho está concluindo uma graduação em Leadership. Junto com sua esposa Michelle, foi responsável por diversos sites na área de educação e TI e criaram o Brazil Austrália em 2006 para ajudar aqueles que estavam imigrando ou vindo estudar na Austrália. "Mas eu e a minha família serviremos ao Senhor" ~ Josué 24:15 Veja meu outro blog - Siga-me no Quora

13 COMMENTS

  1. Jerry, desculpa comentar um assunto bem off topic, mas como ta o clima ai na Australia? Estou chegando dia 07 de janeiro para ficar um mês e só leio sobre chuvas, estou com medo de estragar a temporada!
    Beijo

    • Oi Francine

      Tem chovido bastante aqui, às vezes abre um sol, ams depois chove de novo. Espero que o tempo mude em breve, mas mesmo assim está agradável.

      Abraços

  2. Salve Jerry, eu e minha esposa nos mudamos aqui pra Sydney em Fev/2011…. Nas rodas de amigos ouvimos muitas histórias e comparações entre BR e AU. Achei muito bom o texto que vc escreveu. Penso da mesma forma que vc. Uma frase q ouvi outro dia desses e achei bem bacana é: “Be, wherever you are”.
    Abs, Marcelo.

  3. Muito bom, gostei muito. Escreve bem cara!
    Leio pela primeira vez o seu blog e estou indo para Melbourne com minha esposa em fevereiro-12.
    Vou ler e buscar mais orientações e inspirações no seu blog, parabéns!
    Andre

  4. Gente, que engraçado!
    Tô aqui na Australia a 40 dias, fui fazer uma busca sobre a minha area de trabalho do Brasil, moda, e cai do blog de vocês. Tô lendo aqui, amarradona, adorei o post sobre “não deisitir da sua area”, porque estou passando por isso. Vim nesse post e acabei de ver que vcs moram em Curl Curl! hahahaha, somos vizinhos! Moro em North Curl Curl e estou apaixonada por esse lugar abençoado!
    Adorei parar aqui no blog pelo acaso da vida!!!!!

  5. Engraçado tudo isso … conheci um amigo cujos filhos e netos moram na Austrália, cheguei toda animada dizendo que quase não queria voltar para o Brasil, e ele me disse: Pois é… meus filhos estão voltando… Fiquei perplexa. Mas como ??? Ele explicou: Meu filho mais velho quer educar os filhos aqui, quer que eles conheçam a vida que todos nós tivemos que enfrentar. Meu filho mais novo quer ser médico e disse que a Austrália não valorizam tanto a profissão como no Brasil… então, por motivos diferentes, que não tem nada haver com dinheiro ou condição de vida, eles estão voltando.

    Olha, acho que fora nossas convicções de fé, não existe nada certo nessa vida… tudo são escolhas e quando você acha que conheceu o paraíso e voltou para um lugar comum, alguém está vindo pra cá em busca de algo de valor que a gente tem e nem percebe.

    Como alguém disse: Nem todo dia é dia de ensinar, mas todo dia é dia de aprender.

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