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Hoje por acaso cai na comunidade de uma balada que frequentei por anos no Brasil, mais precisamente na Rua do Rócio na Vila Olímpia em São Paulo. A balada em questão se chamava Krypton e apesar de não ser viciado como alguns amigos que iam sexta, sábado e até nas matinês de domingo, ia quase todo final de semana e tenho boas lembranças do local, principalmente no que se refere aos amigos com quem eu ia e os amigos que fiz lá.

Na comunidade vi frequentadores assíduos discutindo saudosos a época das baladas. Conversavam como se não fizesse tanto tempo que dançavam na pista central ao som de Come to my Life, Total Eclipse of the Heart e Double U. Ai o cara mais “bonito” já em nada lembrava o garoto mais cobiçado da época… Ele está irreconhecível, exclamava uma menina que o encotrara na rua. Ele mesmo apareceu na comunidade depois se desculpando pelo o que os anos e alguns quilos a mais fizeram com o coiçado garoto. A menina mais paquerada virou uma “tia”com 3 filhos e todo mundo de uma forma ou outra deixou o baladeiro animado de sábado a noite na pista de dança.

Enquanto uns matavam saudades outros queriam marcar mais uma balada, quem sabe uma despedida, apenas mais uma antes de dar o definitivo adeus. Contudo todos, de uma forma ou de outra, julgavam ser esta a melhor época de suas vidas.

O ponto é que muitas pessoas tiveram bons momentos quando mais jovens e alguns tentam prolongar este momento por toda vida. Lembro de um amigo da mesma idade que ainda hoje esperava que fossemos rachar na Faria Lima ou na Marginal sábado a noite, sair na noite ou até quem sabe curtir uma balada juntos. Simplesmente não é possível e quem se prende ao passado nunca cresce e este é pra mim um dos maiores motivos por que muitos brasileiros não evoluem aqui na Austrália, não percebem que o passado (pode parecer redundante) já passou.

Muitos brasileiros na faixa dos 27 aos 35 anos que vem pra cá esquecem que a vida continuou e que cada época vem com diferentes realidades. Querem aos 30 ou beirando os 30 anos viver exatamente a mesma vida que tinham aos 17, 18…20 anos e da qual nunca se desprenderam. Só aqui notei que existem pessoas que apesar de algumas pequenas mudanças, vivem aos 30 (ou perto de) a mesma vida que tinham aos 20. Trabalham de manhã, vão para balada e pras festas a noite e nos finais de semana pra praia e pras baladas. Não juntam dinheiro, não estudam em nada além de cursos ganha visto ao qual o diploma não serve pra folha de rascunho e seguem a vida nesta eterna adolescência. (por sinal as baladas aqui são deprimentes)

Confesso que fui adolescente por mais tempo que devia também, mas sempre soube que para atingir alguns objetivos era preciso abrir mão de muitas coisas legais. Inclusive antes de vir pra Austrália estava passando das 7 da manhã às 9 da noite em um cursinho e trabalhando até tarde e aos finais de semana para poder prestar para uma universdade pública de medicina (esava mudando de carreira) e a Michelle de cinema na USP.

Não há problema nenhum em curtir a vida, mas se você já está chegando perto dos 30, não está com a vida feita, bem encaminhado profissionalmente, formado e talvez pós graduado na carreira que pretende seguir e satisfeito com isso, sinceramente você deveria estar muito preocupado. É aquela história que seu pai sempre te falou: Depois que você terminar de fazer a lição de casa pode ir brincar. Acontece que quem não fez a lição de casa até hoje tem 10 anos de lição de casa pra por em dia.

Digo isso, pois muitos brasileros vivem aqui assim sem preocupação alguma. Porém, uma hora ou outra a vida vai cobrar tudo que foi negligenciado e na hora que ela cobrar pode ser desesperadoramente tarde. E são justamente estes brasileiros que vejo reclamando ou não sabendo  que fazer da vida mesmo depois de muito tempo aqui. Todo mundo que vi se dar bem aqui ou já estava estabelecido no Brasil e aqui só continuou o que já fazia la ou a pessoa veio com um objetivo definido em mente, seja este obetivo juntar dinheiro, fazer faculdade ou estudar.

Tive uma pessoa muito próxima e a qual eu gostava muito que era uma espécie de ídolo dos meus amigos na adolescência. O cara estava cada dia com uma mulher mais linda que a outra, sempre com um carro legal morando num lugar legal, viajando pra praia todo final de semana, saindo na balada religiosamente toda a noite e sempre gastando absurdos. Não se preocupou em fazer uma boa faculdade, pois seu pai sempre teve muito dinheiro, não se preocupou em crescer profissionalmente, pois cuidava dos negócios do pai (quando tinha tempo) e seguiu esta adolescência até quase os 40 anos.

Em uma das últimas vezes que liguei pro Brasil perguntei sobre ele e descobri que havia sido despejado do apartamento que havia herdado da sua família e estava casando com uma mulher mais velha e bem mais rica.

Aqui na Austrlália vejo muita gente chegar aqui cheia de planos e esperanças. Vão estudar, vão juntar dinheiro, vão pagar uma boa faculdade, vão pegar a residência, mas logo nas primeiras semanas trocam tudo isso por uma balada a noite, um churrasco com os amigos aos sábados e uma praia no final de semana.

Quando eu era pequeno o pai de um amigo meu, um cara muito legal me disse algo que eu nunca esqueci: “Quem se dedica a uma coisa abre mão de outras”. Ou seja, quem gasta o tempo nas baladas, praia ou qualquer outra diversão não vai crescer em outras áreas. Quem se dedica a profissões, estudos, etc consequentemente vai ter qe abrir mão de outras coisas. Tem gente que consegue equilibrar bem as duas áreas, mas estes tem esta rotina a muito tempo, construiram aos poucos e dificilmente vão ser bons em nenhum dos dois.

Sei disso pois uma das minhas irmãs é jogadora de voley profissional e a vida dela é pro Voley. Não tem final de semana, não tem feriado, não tem viagens pra praia, ela vive, come e respira voley. Enquanto suas amigas estão saindo ela está treinando. Enquanto o povo está indo pra praia ela est;a jogando campeonatos.

Por isso eu acho melhor pra quem passou dos 25, 26 e já está aqui há um bom tempo sem crescer muito o melhor é parar e repensar suas prioridades, talvez até voltar pro Brasil por um tempo, voltar a estudar… o Brasil tem uma facilidade maravlhosa que quase nenhum outro país tem que são faculdades públicas gratuitas. Esta é uma grande oportunidade pra quem quer começar a estudar, se formar e seguir uma carreira. Pra fazer o mesmo aqui na Austrália numa boa faculdade vai se precisar no mínimo de 20 mil dólares por ano e juntar esta grana trabalhando aqui é mil vezes mais sacrificado que fazer cursinho no Brasil.

O que precisa é deixar o passado pra trás e correr para as coisas que adiante estão.

O ponto é. Tudo o que você investir trará retorno e consequências. Escolha investir nas coisas certas. O que você plantar hoje vai colher amanhã Isso vale pra absolutamente todo mundo.

Lembre que sempre é tempo de começar a planejar, porém lembre-se que amanhã será mais difícil do que hoje.

Bom, vou descansar agora… não vejo a hora de acabar com esta rtina que estou tendo preciso descansar um pouco. Interrompi este post às 8:30 da noite para ministrar um treinamento por conference e levou duas horas. Graças a Deus deu tudo certo, pois não me preparei nem um pouco e estava precupado.

Pra terminar algumas músicas da época da Krypton que ouvi hoje e me fizeram lmbrar daquela época.