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As Nações Unidas divulgam desde 1993 um Relatório de Desenvolvimento Humano que abrange 177 países membros da organização. Faz parte deste relatório um índice chamado IDH – Índice de Desenvolvimento Humano que nada mais é que indicador de qualidade de vida das populações e mede comparativamente a riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade e outros fatores entre os países membros da ONU.

É um relatório muito importante, pois mede o avanço de uma população não considerando apenas a o cresceimento econômico, mas também outras características sociais. Contudo, o índice econômico faz parte do relatório e é usado para o cálculo do IDH.

O índice que varia de 0 (países sem desenvolvimento humano) até 1 (países com total desenvolvimento humano ).

O índice é separado em 3 faixas.:

  • 0 até 0,499 - desenvolvimento humano considerado baixo. Apenas 22 países entram nesta faixa e incluem Serra leoa na África e outros países miseráveis.
  • 0,500 até 0,799 – desenvolvimento humano médio – O Brasil se encontrava nesta faixa no relatório anterior.
  • de 0,800 até 1 – desenvolvimento humano alto. No relatório de 2007/2008 o Brasil obteve um IDH igual a 0,800 ou seja é o último da escala na faixa de países de alto desenvolvimento humano.

O IDH do Brasil

O Brasil entrou na última posição de países com desenvolvimento alto na última lista do IDH publicada pela ONU. Subiu algumas posições e passou para a lista dos países com médio para alto desenvolvimento humano, pois o vem apresentando bons resultados econômicos.

Pode parecer um grande avanço, mas em nada faz lembrar o Brasil tantas vezes exaltado pelo governo e até pela classe média alta.

O Brasil ocupa a posição de número 70 e vem muito atrás de países como Cuba que ocupa a posição 51, o México, Tonga e Líbia que vem logo depois, Trinindad e Tobago que ocupa a posição 59 e até a Bósnia e Herzegovina e a Albâbia que vem na posição 67 e 68 respectivamente.

Contudo estamos 3 posições acima do famoso Cazaquistão, terra do personagem Borah e consegumos bater o Suriname que ocupa a posição 85 com um IDH semelhante ao do Brasil no relatório anterior (0,774).

Em relação a renda per capita perdemos feio de países como Lithuania, Bosnia, Chile, Argentina e México, mas superamos o Azerbajão em algumas posições.

O Garoto do Semáforo.

Um governo pode falar que seu país é lindo, rico e maravilhoso, mas isso possui pouco significado se tal discurso não se refletir na qualidade de vida da população.

Naturalmente tendemos a compreender a população apenas como a população que nos cerca e com a qual convivemos. Deste modo, o Brasil que eu e você (que tem acesso a internet para ler este blog) conhecemos é diferente do Brasil compreendido por um garoto de 6 anos que nunca foi à escola e está vendendo balas no semáforo. Todos vivemos ou viemos do mesmo Brasil, mas o Brasil não é o mesmo pra ambos.

As conquistas econômicas do país que para nós possuem tanto significado podem se tornar muito menos relevantes se não se refletirem também na vida do garoto do semáforo.

Um país só está crescendo se seu crescimento atingir todas as camadas, principalmente e incialmente as menos favorecidas.

Fica muito fácil pra mim ou para você sentar em meu computador, num escritório na Austrália, com meu copo de chocolate quente recém comprado no Starbucks, num ambiente climatizado, vestindo terno e gravata e começar a exaltar as conquistas do Brasil sem atentar e reconhecer o profundo abismo em que vive a maioria da população.

Se hoje recebecemos a notícia de que as taxas bancárias fossem dramaticamente reduzidas, o valor do fincanciamento imobiliário para trabalhadores com salário superior a 4 salários mínimos tivesse a taxa de juros cortada e que foi criado um esquema de segurança policial reforçada em nosso bairro para impedir o número de crimes ficaríamos muito mais felizes com o nosso país, pois estas medidas resultariam numa melhoria das nossas vidas.

Agora lhe pergunto: Todas estas medidas trouxeram algum benefício na vida do garoto do semáforo, ou pelo menos na vida de seus pais?

É claro que não.  Só que o garoto do semáfor é muito mais a cara do Brasil do que eu e você. Se você possui uma conta em banco, acesso a internet e ganha mais que 4 salários mínimos por mês você faz parte de menos de 10% da população brasileira. (21% da população brasileira possui acesso à internet, mas isso inclui todos usuários acima de 10 anos de idade). A população economicamente ativa no Brasil é atualmente em torno de 69,9 milhões de pessoas, destes, 28 milhÕes vivem com apenas um salário mínimo por mês. Leve em conta 1/3 dos trabalhadores que ganham um salário mínimo são chefes de família e a única renda da casa.

Acredite ou não, há lugares no Brasil onde crianças nunca tomaram um banho de chuveiro na vida,  que um copo de arroz é a refeição de toda uma família e que há brigas que levam a morte por um pouco de água (fonte).  Ainda temos trabalho escravo, mais  de 120 anos depois da abolição. Isso no mesmo Brasil em que eu e você vibramos em saber somos a nona maior economia do mundo.

Já do lado da classe média a situação é muito diferente, o IDH de bairros como Jardins, Paraíso e Vila Mariana em São Paulo é semelhante ao IDH de Paris.

Deste modo, pouco importa se a Embraer criou o mais moderno jato comercial ou o Setubal está na lista dos mais ricos da Forbes se a imensa maioria da população não possui nenhum acesso a qualquer benefício deste “crescimento econômico”.

E enquanto  Mainardi, Ivan Lessa e alguns outros críticos tentam alertar da ilusão política e social que se vive no Brasil, e outros tentam com certos argumentos valídos mostrar que está tudo caminhando bem, o garoto do semáforo fica lá, sem escola, sem educação, sem quem se importe com ele, tentando apenas conseguir um real por uma caixa de chicletes. Só vamos torcer para não encontrá-lo  no mesmo sinal daqui a alguns anos, tentando obter a força o que o país e a sociedade falharam em lhe proporcionar.

Porém, pra que me preocupar. Afinal, isso não tem nada a ver comigo, não é mesmo?

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Ps: Queria agradecer os comentários, acho que o blog serve pra isso mesmo, pra cada um expressar sua opinião. Muitas das opiniões são contrárias as minhas e todas são publicadas, pois mais que um site, esta é uma comunidade pra você conversar, debater e expressar sua opinião.