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Depois do meu último post – um artigo escrito pelo Diogo Mainardi, ficou faltando eu expressar minha visão dos fatos sobre o que acontece e o que ainda está para acontecer no Brasil.

Esta semana assisti uma série brasileira chamada “A Lei e o Crime” feita pela canal de Record de TV. Foi umas das melhores e mais bem feitas séries que já assisti e faz Prison Break parecer desenho animado. Contudo o mais impressionante é o fato que ao contrário das séries americanas, A Lei e o Crime é um perfeito retrato do que acontece no Rio de Janeiro no que diz respeito ao tráfico, milícias e criminalidade e do Brasil no que se refere a corrupção.

Confesso aqui ser um apaixonado pelo Brasil.  Isso não é algo para se orgulhar, mas uma obrigação, afinal, a pessoa tem que ser muito egoísta e sem caráter para viver muitos anos em um país e depois deixá-lo sem manter uma grande saudade no coração. 

Antes de falar do Brasil queria falar um pouco sobre Diogo Mainardi. Não admiro tudo escrito por pelo autor, roteirista e comentarísta, porém ao ler seus textos fica claro que mais que um escritor armagurado, Mainardi é uma pessoa desiludida com o Brasil e o povo. Pessoalmente nunca o ouvi “idolatrando” nada do exterior em detrimento do nacional, inclusive seu único comentáro em favor do Obama foi em relação a retirada das tropas do Iraque, nada mais.

Gosto de seus textos e em alguns entrevistas ele me pareceu uma pessoa com caráter, por motivos que vou me isentar de tratar aqui para não correr o risco de parecer apelativo.

O que poucas pessoas percebem é que as críticas são necessárias em qualquer país e governo, principalmente no Brasil onde o povo é tão mal informado e vê no presidente uma espécie de messias por ter criado o bolsa família, o maior sistema legalizado de compra de votos que já existiu. De fato não vou nem criticar o bolsa família, pois apesar de muitas imprudências, prefiro pensar mais na senhora idosa do interior da Bahia que agora recebe alguma ajuda para comprar alimentos e assim matar a fome do que em mim e meus ideais políticos.

O Brasil é um país de extremos que produz tanto gênios do automobilismo como Ayrton Senna como um dos mais perigosos e “inteligentes” traficantes do mundo como Fernandinho Beira Mar.  Tudo no país tende aos polos, da pobreza das favelas à riqueza dos prédios da Viera Souto, por sinal, um dos metros quadrados mais caros do mundo. Somos um povo inteligente sem dúvida, mas a maioria de nós prefere sempre encontrar um atalho ao invés de seguir m caminho e de atalho em atalho o país tem se perdido.

Temos uma elite que se diz preocupada com o pobre e necessitado, mas não se dispõe a pagar um salário melhor para a senhora que limpa sua casa, lava suas roupas e prepara sua comida. Ficam sempre espiando tudo de cima do muro e sempre caem pro lado que lhes seja mais macio, ainda que seja em cima da cabeça de muita gente.

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O Brasil é um país onde políticos honestos e de caráter como o falecido Enéias Carneiro são considerados loucos. De fato é preciso ser completamente pirado para ser honesto em qualquer coisa no Brasil hoje em dia, mais ainda na política.  Todo governo nada mais é que o reflexo do seu povo e se olharmos para nosso governo atual o povo está bem mal.

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Até o PT conseguiu ser o partido de esquerda mais “direitista” que já existiu. Falaram, falaram e falaram, mas quando chegaram ao governo conseguiram fazer pior.Odiaram tanto a direita que no final acabaram casando com ela. De um ódio declarado nasceu uma longa história de amor.

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Somos um país onde tudo começou mal e tende a acabar pior. Exaltamos algumas vitórias como as da seleção, a do petróleo e mais uma ou duas conquistas, mas nos esquecemos da milhares de outras falências que estão debaixo do tapete.

A corrupção, que em qualquer outro lugar seria um grave crime, no Brasil se tornou algo tolerável. Afinal, como explicar que os  maiores absurdos que aconteceram no governo debaixo do nariz do presidente não resultaram numa invasão bárbara no planalto onde os políticos foram arrancados pelos cabelos?

O Brasil é um país onde se sabe onde está o traficante, mas ninguém vai lá prendê-lo. Um lugar onde milícias formadas por “polícias” fazem a lei de áreas onde outros “policias” não querem entrar. No Brasil você precisa pagar uma propina para um sujeito sem camisa com uma flanela debaixo do braço se quiser ter a chance de encontrar seu carro inteiro quando voltar e até o flanelinha tem que pagar propina para policial para continuar na sua função.

No Brasil se sabe onde é o ponto de crack, onde se compra artigos roubados e contraandeados, onde há mais roubos, onde moram os bandidos  ninguém é preso. Existe incoerência maior que esta?

Queremos ser um país sério, mas jámais o seremos se continuarmos olhando para estes absurdos sem rirmos constrangidos por tamanho absurdo.

Achamos que Santos Dummont inventou o avião enquanto as outras 5 bilhões e 825 milhões de pessoas acreditam ser os Wright brothers. Pode até ter sido Dumont o primeiro homem a realmente levantar voo num avião motorizado, mas nem perca seu tempo tentando explicar isso para os outros 5 bilhões de pessoas. O máximo que você ouvirá será um: Dumont who?

Temos um governo que não investe em educação, pois sabe que pessoas educadas não votam em pessoas do nosso governo. Com isso temos uma nação educada pela tv. Acreditamos que nosso major participou do programa espacial da NASA quando ele apenas ganhou um Free Ticket patrocinado pelo governo brasileiro para fazer a mesma coisa que qualquer milionário sem qualquer experiência espacial pode fazer. Acreditamos que somos conhecidos pela nossa ginga e por ter samba no pé quando o resto do mundo não está nem ai pra carnaval e futebol.

Reclamamos do país, reclamamos do povo sem perceber que o país e o povo somos nós.

Somos um povo sebastianista, esperando a vinda de um líder que finalmente irá colocar as coisas no lugar e de preferência de um modo que seja bom só pra gente. Estamos sempre transferindo a responsabilidade para alguém. A  culpa é do governo, é da polícia, é do traficante, é do camelô, só não é nossa.

Tratamos como importantes nossos coterrâneos tupiniquins que emigraram, pois sempre achamos que a grama era mais verde apenas do outro lado. De fato é verde, mas são os imigrantes que acabam adubando a terra.

Acreditamos que Deus é brasileiro e há até quem diga que foi em Belém, a do Pará, que o menino Jesus nasceu. Reclamamos do trânsito, mas temos um carro pra cada habitante da nossa casa, reclamamos da poluição mas continuamos jugando lixo na rua, reclamamos até do desemprego mesmo estando empregados.

E apesar de tudo isso somos o povo mais alegre do mundo. Sim, acredite,  os brasileiros (no Brasil) são o povo mais alegre, animado e divertido que existe. Apesar dos problemas conseguimos sorrir a dar um bom dia, ao pedir um pão na chapa na padaria e até pedindo num semáforo de uma rua congestionada um real para lavar o vidro de um carro. Temos as mulheres mais lindas, as praias mais lindas, as músicas mais lindas e em questão de “lindeza” ninguém chega aos nossos pés.

Somos felizes sendo brasileiros e ainda que os motivos para isso sejam poucos. Temos uma mistúra única de raças que você certamente não irá ver em nenhum outro lugar do mundo.

Temos o jeitinho brasileiro, que ao meu ver, é o jeitinho de ser feliz ainda que as circunstâncias digam que não. Triste de quem acha que precisa de estar em qualquer outro lugar o ser qualquer outra pessoa pra ser o que overdadeiro brasileiro é por natureza.

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