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A grande maioria dos brasileiros que vão para a Austrália como estudantes, após um tempo, apesar de a grande maioria ser formado nas mais diversas áreas, acabam trabalhando de faxineiro, pedreiro e outros empregos do tipo. Alguns voltam ao Brasil depois de um tempo, enquanto muitos outros ficam na Austrália por anos carregando tijolo, limpando peixarias e lavando pratos ou pulando de empregos braçais em empregos num esquema muito estressante.

Estrassante não somente pelo trabalho em si, mas sim pela falta de garantias. Conheci muitos (muitos mesmo) brasileiros que trabalham em obras e outros empregos semelhantes e a grande maioria reclama da irregularidade dos shifts, ou seja, eles podem ter muito trabalho numa semana e na semana seguinte não serem chamados. Podem trabalhar 2 meses em uma obra e passar os meses seguintes desempregado procurando alguma oportunidade.

Antes de prosseguir vale a pena fazer algumas considerações. A função de pedreiro exercida pelo brasileiro na Austrália não é a mesma exercida pelo pedreiro Australiano. Enquanto o pedreiro australiano é formado em algum curso técnico para exercer a profissão, é sindicalizado e possui toda liberdade de trabalho por ser cidadão e ganha bem, o brasileiro não tem nenhuma facilidade, passa o dia ou carregando tijolo ou usando a britadeira (serviço esse extremamente desgastante e que ninguém quer fazer), ganha pouco e não tem nenhum benefício, ainda correndo o risco de ser preso e deportado no caso dos que trabalham mais que 20 horas por semana. Como disse um amigo meu que trabalhou de pedreiro, isso é algo que você consegue fazer por uns dois anos no máximo, depois disso voc6e destroi sua saude.

Mas o mais importante é que toda vez que perguntava para um advogado, administrador. engenheiro e até radiologista por que ele não voltava ao Brasil e arrumava um bom emprego ao invés de ficar se sacrificando tanto apenas para poder pagar as contas numa shared, pagar a escola de inglês ou do curso técnico podre que não vai lhe adiantar de nada a não ser manter o visto e para quem sabe poder sair aos finais de semana a resposta era sempre a mesma: Não tem emprego na área no Brasil.

Entendo que pode até ser um pouco complicado arrumar um emprego na área para qualquer pessoa no Brasil. Mas mesmo na Austrália não é diferente. Tenho um amigo canadense que se tornou cidadão Australiano, possui double degree em Direito e Contabilidade, já estudou medicina e foi um dos melhores da sua classe e estava há 6 meses trabalhando em um café perto de casa, pois ainda não tinha conseguido nada na área. Certamente creio que ele consiguirá um dia, assim como sei que conseguem aqueles que voltam para o Brasil e se dedicam.

O cara larga a carreira para qual ele estudou para carregar tijolo? Tudo bem fazer isso por 1 ano para viajar pela a Austr;alia, mas depois de 3, 4  anos a pessoa ainda estar no mesmo esquema é uma tremenda perda de tempo e de oportunidade.O cara topa trabalhar de pedreiro na Austrália, mas não topa voltar ao Brasil para trabalhar de adminsitrador. Imagine então voltar ao Brasil para trabalhar de pedreiro.

Contudo, sinto informar, mas pedreiro no Brasil ganha mais que os brasileiros que trabalham como pedreiro ganham na Austrália (não estou comparando com os australianos). Meu pai é engenheiro civil e desde que cheguei aqui ouço ele reclamando que não se acha mais eletricista, encanador, pedreiro e mestre de obras. Que ele nunca teve tanta dificuldade em formar uma equipe e que os pedreiros estão ganhando muito bem, que um mestre de obras estava tirando 12 mil por mês.

Achei que fosse exagero dele, mas um estudo recente feito pela FGV confirma as reclamações de meu pai. Não há pedreiros no mercado brasileiro, principalmente em São Paulo e que um mestre de obras chega a ganhar 10 a 12 mil reais por mês. Um encanador e eletricista conseguem muito mais que isso.

Na Austrália os brasileiros reclamões de plantão gastam horas só falando mal do Brasil. O país é perigoso, o trânsito é caótico, não tem emprego e a vida é dura estão entre a maioria das reclamações. Acontece que estou aqui há algum tempo e isso não é nem de longe o que vejo.

Em primeiro lugar, como comentei aqui antes, a economia está super aquecida. Em qualquer lugar onde eu vá há oferta de empregos. Do cabelereiro ao clube, de empresas de IT à aviação. Está faltando trabalhador para tantas vagas. O trânsito então nem se fala. Não peguei desde que cheguei aqui e o trânsito que peguei não é diferente do que se pega nas áreas com mais trânsito em Sydney. Ontem sai na hora do almoço, com as ruas lotadas do centro da cidade (bem no centro mesmo), em época de compras de natal e fui até o Morumbi e gastei cerca de 50 minutos. E olha que eu peguei trânsito. Depois voltei do Morumbi para o Paraíso às 7 da noite na hora do rush e cheguei em casa em menos de 40 minutos. É claro que quem pega a marginal na hora do rush em dia de chuva todo dia vai pegar um trânsito bem complicado, mas isso nem de longe é a realidade da maioria dos brasileiros que vai morar fora.

Vejo muito brasileiro reclamando do brasil pra todo mundo na Austrália, mas isso na grande maioria das vezes é apenas uma desculpa.  Todos os amigos com que tenho falado, até os que estavam desempregados quando eu sai daqui estão trabalhando, investindo e vivendo super bem e isso vai do cabelereiro ao médico. Nem vir de família pobre tem sido mais desculpa. As faculdades e os cursos técnicos estão lotados de pessoas de baixa renda e todos eles estão entrando no mercado de trabalho.

A Michelle mesmo ontem pegou um taxi e ouviu o taxista contando sobre seu filho. Ele disse que um dia conversando com um passageiro no taxi assim como conversou com a Michelle, comentou que estava procurando um emprego pro seu filho de 16 anos que não estava trabalhando. O passageiro deu seu cartão e disse para mandar o filho dele procurá-lo. O menino o fez. Arrumou um emprego de office boy externo, se dedicou ao trabalho, a empresa de logística onde ele trabalhava ao ele terminar o ensino médio pagou sua universidade, ele se formou em logística, foi crescendo na empresa, e hoje, antes mesmo de completar 30 anos é diretor de uma das maiores empresas de logística de aviação do país, passa mais que metade do ano fora do país à negócios,  fala inglês fluente e tem propostas para trabalhar em qualquer lugar do mundo onde ele quiser.

Até zelador aqui se for inteligente se dá muito bem. A Michelle tem uma amiga de infância que o pai é zelador e o cara, ainda trabalhando como zelador hoje virou um investidor do mercado imobiliário e possui vários apartamentos nas áreas nobres de São Paulo, dirige um carro zero e certamente vive melhor até que muita gente que já morou no prédio em que ele foi zelador. Outro dia ouvi a mãe da Michelle comentando sobre ele: “Ele vai vender um dos apartamentos que el tem que vale uns 500 mil reais que ele tem para comprar dois menores”.

Eu vejo até amigos que vi ralando pra caramba na Austrália como estudante, sempre sem saber o dia de amanhã, ralando nos empregos mais difíceis e hoje vejo os caras aqui trabalhando em grandes empresas, crescendo profissionalmente, estudando algo útil, e se dando muito bem.

Espero que quem ler este texto entenda que não estou comparando nada com lugar nenhum. Estou falando da vida e desculpas dos brasileiros estudantes (e até alguns residentes) na Austrália, que falam que sairam ou não voltam ao Brasil por falta de oportunidade. Isso é uma imensa desculpa. Quem estuda e se dedica no Brasil se dá bem, quem não quer nada da vida não vai conseguir nada em lugar nenhum.

Este final de semana encontrei a mãe de um amigo nosso na igreja e perguntei sobre ele. Está bem – respondeu ela. Depois que se formou na USP foi pra Rio Branco, está morando em Brasília, vai passar o natal e o ano novo em New York e ano que vem vai se tornar diplomata ai vão decidir pra que país ele irá. Não sei a idade do cara, mas certamente ele tem no máximo pouco mais de 25 anos. Ai o cabeção na Austrália vem me dizer que não fica no Brasil por que não tem oportunidade.

O pessoal vem falar de violência no Brasil??? São Paulo está com a menor taxa de homicídios em 30 anos, a criminalidade tem baixado a cada dia, praticamente toda esquina tem uma cabine da polícia e a cidade está super segura. No Rio, na Cidade de Deus, tão divulgada pela violência retratada no filme, houve apenas um único homicídio nos últimos meses e ainda assim em virtude de uma briga familiar. O Governador do Rio e o governo federal estão investindo pesado contra a violência e a criminalidade e certamente se continuar assim após a copa e as olimpíadas o Brasil será um dos melhores lugares do mundo pra se viver. O Brasil esyá se tornando um país, rico. Não no ritmo da China, mas num ritmo satisfatório.

At;e a corrupção está diminuindo e o governador do DF está para ser afastado por causa de seu envolvimento com a corrupção.

Quem voltar certamente poderá dizer: Tenho orgulho de ser brasileiro!

Por que então tanto brasileiro fala tão mal do Brasil? Isso acontece por que o brasileiro é o rei da reclamação. Na Austrália o cara mata duas pessoas e atira pela janela e sai uma notícia de 1 minuto no jornal. Aqui isso dá notícia para 3 meses e sai do Globo Reporter ao Fantástico com o Datena na Bandeirantes cobrindo o caso por 300 horas falando que o Brasil é um lixo.

O brasileiro precisa parar de amaldiçoar seu país e honrá-lo mais, ser grato, agradecer ao país por tudo o que ele lhe deu. Quem não faz isso não vai ser feliz e satisfeito nunca.

Por que Você não Fica ai então?

Muitas pessoas me perguntam. Por que você não fica no Brasil? Por que fica na Austrália?

A resposta a esta pergunta não é tão simples. Primeiro vem o fato que sou satisfeito com minha vida tanto lá como aqui, como acredito que seria se morasse nos EUA, na Espanha ou até na Tailândia ou Japão. Desta forma, graças a Deus não estou me matando lá sem saber o que vai ser do dia de amanhã. Estou trabalhando no que gosto, estou estudando o que sempre sonhei, tenho dificuldades como todo mundo, enfrento problemas também, mas no geral estamos investindo no que gostamos e querendo.

Meu trabalho permite que eu trabalhe em qualquer lugar do mundo e de qualquer lugar do mundo, contudo o que quero em outras áreas da minha vida não. Estou fazendo universidade de Teologia (Bachelor of Theology) e isso, caso um dia Deus permita que eu seja pastor, fará com que eu provavelmente tenha que escolher um lugar onde viver, a não ser que eu fosse algum daqueles pastores intinerantes que viajam o mundo pregando, mas estes são a minoria.

Com o tempo você vai se envolvendo com a igreja, se adaptando, se especializando e você acaba tendo que escolher onde ficar. Pessoalmente eu gostaria de ficar um pouco em cada lugar. Um pouco no Brasil, um pouco na Austrália, um pouco nos EUA, um pouco na Europa, mas viver assim, principalmente depois que você decide ter filhos, não é tarefa fácil.

Depois vou fazer um post mais específico sobre viver fora do país, mas para quem tem uma família com quem se importa e com que você se importa não é fácil. O convívio com a família e com sua cultura não tem preço. Estou amando os dias que estamos passando aqui, principalmente curtindo com a família e amigos. Fora as coisas legais que se tem pra fazer aqui.

Bom, é isso.

Um grande abraço a todos.

Pra quem acha que estou exagerando

Mestre Obras virou profissão de rico

Outra matéria bem legal que merece ser lida

Cidade de Deus com final feliz

O Brasil está crescendo muito em todos os aspectos e eu estou extremamente feliz com isso.