isa  Entrevista: Minha Experiência fazendo Universidade em Melbourne isaEssa semana a entrevistada dos Ciência Sem Fronteiras é a linda Isabella Aparecida Marzola que tem 25 anos e é estudante de Física na Unesp.


1) Seu nome, cidade onde mora, há quanto tempo e quem mora com você?

Olá, meu nome é Isabella Aparecida Marzola, moro em Melbourne ­ Austrália desde novembro do ano passado e atualmente divido um apartamento com uma colombiana, um colombiano e um árabe.

2) Como surgiu a ideia de vir pra Austrália e qual cidade escolheu? E por que escolheu essa cidade?

Digamos que minha fascinação pela Austrália não é nada recente. Quando era nova lembro de um amigo dos meus irmãos vir para cá trabalhar e eu fiquei curiosa pra saber mais sobre o país. Porém, na época a internet não era fácil e barata de acessar como hoje, o que deu uma freada na minha curiosidade. Então eu cresci, ingressei na faculdade e comecei a me interessar mais em ler conteúdo online e a pesquisar mais sobre o mundo e as pessoas. A partir daí aquela curiosidade sobre a Austrália voltou e o país começou a ser mais destaque em várias matérias, que falavam desde qualidade de vida até as bizarrices do mundo animal que só acontecem aqui.

Nesse meio tempo surgiu o programa Ciências Sem Fronteiras, mas ele só ficou mais conhecido em 2012 ou 2013, acredito eu. E no começo de 2013 foi justamente quando eu me licenciei em física, porém continuei na universidade para finalizar minha graduação em bacharelado em física.

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Contudo, por estar há muito tempo na universidade, na mesma cidade, eu sentia a necessidade de mudar um pouco de ares, só que eu queria finalizar minha segunda graduação e o intercâmbio foi o encaixe perfeito pra isso acontecer, porque eu poderia continuar estudando o que eu amo, desenvolver mais meu inglês e ainda realizar meu sonho de conhecer a Austrália.

Então me inscrevi no programa e escolhi Melbourne mais por conta da estrutura curricular da universidade aqui, que é mais dinâmica, pelo clima frio e pela qualidade de vida que a cidade proporciona.

3) Como foi o processo do visto?

O processo de visto foi bem tranquilo e rápido, já que o programa Ciências sem Fronteiras tem uma parceria com uma agência responsável para nos auxiliar durante todo o processo. Então essa agência entrou em contato via email com os detalhes dos documentos necessários, os locais disponíveis para consulta médica para o visto, qual o visto a ser aplicado, etc. e após cumprir todas as exigências, acredito que em menos de duas semanas meu visto já estava aprovado.

rmit3  Entrevista: Minha Experiência fazendo Universidade em Melbourne rmit34) Onde você esta estudando e o que você estuda?

Estou estudando física na RMIT University (Royal Melbourne Institute of Technnology).

5) Qual foi a sua matéria favorita até agora?

Não saberia dizer se tenho uma matéria favorita, porque elas são lecionadas de forma um pouco diferente do que eu estava acostumada no Brasil, então posso dizer que em relação à forma de ensinar, todas me agradam muito. Porém, em relação a conteúdo as que mais tem me agradado é Astronomia e Buracos Negros, que apesar de ser uma matéria introdutória, é bastante interessante e didática.

Me faz pensar sobre como a astronomia é fascinante, o quão insignificantes somos e o quanto ainda temos para explorar universo afora. A outra é Mecânica Quântica e Estatística, que coloca a prova tudo o que eu estudei durante meu curso, me ajuda a reforçar conceitos e teorias da física e da química, e que aqui achei a abordagem mais fácil de compreender (comparando com a disciplina no Brasil, que eu havia começado mas tive de parar devido à minha viagem de intercâmbio).

Screen Shot 2015-10-08 at 8.39.48 pm  Entrevista: Minha Experiência fazendo Universidade em Melbourne Screen Shot 2015 10 08 at 86) Poderia fazer uma comparação entre a sua universidade e a universidade brasileira?

No Brasil, eu estudava na UNESP (Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”), e uma primeira comparação a ser feita é a diferença na infraestrutura. Apesar das salas de aula do Brasil terem basicamente os mesmos equipamentos (computador, projetor, retroprojetor, etc), os professores aqui são mais integrados a essas tecnologias, e a maioria com quem tenho aula, alternam o uso delas para deixar a aula mais dinâmica e interessante de acompanhar.

E em algumas disciplinas (a maioria, creio eu), as aulas teóricas são gravadas e disponibilizadas online, o que permite o aluno revisar o conteúdo e focar em pontos que possa não ter entendido durante alguma aula; e ainda permite o acesso a um conteúdo que ele possa ter perdido por não ter comparecido à aula.

Screen Shot 2015-10-08 at 7.48.24 pm  Entrevista: Minha Experiência fazendo Universidade em Melbourne Screen Shot 2015 10 08 at 7Um segundo ponto que eu gostaria de destacar é o conteúdo trabalhado em uma das disciplinas que estou cursando. Ela é uma disciplina de primeiro ano daqui porém ela aborta conteúdos vistos desde o primeiro até o último ano se comparada com o curso no Brasil. Essa abordagem é bastante interessante pra mim porque apesar de não aprofundar matematicamente, a teoria física por trás do assunto abordado é discutido no nível da mecânica quântica, quando necessário, com alunos de primeiro ano sem problemas, e isso é fantástico!

E também se reflete no laboratório dessa disciplina, em que os alunos realizam experimentos que no Brasil eu só fiz quando estava no segundo e terceiro ano do curso. A consequência disso, é que a estrutura curricular do curso aqui possui menos disciplinas por semestre, o que deixa o aluno com mais tempo livre para estudar e se dedicar à outras coisas (participar de outras atividades na universidade, por exemplo).

E aqui também existem os assignments. Os assignments seriam listas de exercícios e trabalhos que tenho de fazer semanalmente em algumas disciplinas aqui. Isso ocorria no Brasil também, mas o prazo de entrega era maior e em muitos casos a contribuição deles na nota final das disciplinas era consideravelmente menor do que aqui.

E apesar de ser um pouco cansativo fazer os assignments semanalmente, acho muito importante que sejam assim porque me forçam a estudar o conteúdo regularmente. E isso se reflete na redução do tempo de estudo para os exames finais que aqui abordam o conteúdo do semestre inteiro e são uma % grande da nota final.

7) Como é sua semana (timetable) e como são as suas aulas?Screen Shot 2015-10-08 at 7.48.07 pm  Entrevista: Minha Experiência fazendo Universidade em Melbourne Screen Shot 2015 10 08 at 7

Faço quatro disciplinas por semestre aqui e elas não estão muito bem distribuídas na minha semana. Tenho aula segunda e quinta o dia todo e terça e sexta ­feira de manhã. Mas, mesmo assim, pode­ se perceber que tenho bastante tempo livre ao longo da semana.

Com exceção da disciplina de Mecânica Quântica e Estatística, que é em uma sala de aula comum, as outras três são em anfiteatros. Porém, todas são ensinadas através de apresentações em slides, alternando com explicações e resoluções no quadro ou no retroprojetor.

Duas delas possuem laboratórios, e uma coisa interessante de um dos laboratórios é que ele ocorre num ambiente virtual, em que os experimentos são realizados através do computador. Isso é muito legal porque reduz custos de material de laboratório e o risco de acidentes, por exemplo. E também há duas das disciplinas que faço possuem monitoria, que são as aulas para solução de dúvidas e exercícios.

8) O que você mais gosta da cidade que esta morando?

Basicamente tudo. Eu sou uma pessoa muito fácil de se adaptar, então às vezes sinto como se morasse aqui há anos. Mas pra mim, que cresci numa cidade pequena no interior de São Paulo, é incrível a experiência de morar numa cidade grande, onde você encontra diversidade para qualquer coisa que queira fazer. Contudo, existem algumas coisas que admiro e gosto muito daqui: a educação das pessoas, a boa vontade delas em ajudar o próximo no dia a dia, a agenda cultural da cidade e o verde.

Screen Shot 2015-10-08 at 3.48.02 pm  Entrevista: Minha Experiência fazendo Universidade em Melbourne Screen Shot 2015 10 08 at 3
Em relação as duas primeiras, me comove muito como as pessoas se tratam bem e como elas tentam facilitar a vida do outro com gestos simples, como dando licença e desejando bom dia, por exemplo. São coisas ínfimas assim que fazem o convívio social muito mais agradável.

Já em relação a agenda cultural, eu adoro porque sempre tem alguma coisa acontecendo, algum campeonato esportivo, algum festival de comida ou de música, alguma celebração importante pro país, shows, apresentações de dança ou teatro, etc. E em relação ao verde, existem muitos parques pequenos, médios e enormes espalhados pela cidade que fazem com que você respire melhor e se sinta bem só de olhar para natureza. E confesso que às vezes tiro um dia inteiro para ficar a toa andando por esses parques.

9) Como você avalia a experiência de vida de estudar no exterior?

Espetacular! Eu sinto que não poderia ter tomado decisões melhores na minha vida, porque foram uma série de decisões que me fizeram chegar aqui. Eu sempre quis muito viajar e conhecer novas culturas e novos lugares, e acredito que no fundo todos temos essa necessidade de sair do lugar e se movimentar por ai.

Imagens: RMIT, Arquivo pessoal da Isabela, John Gollings e Design Lyons Architecture.

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1 COMMENT

  1. Olá, Isabella, tudo bem? Meu nome é Daiane, atualmente estou estudando Educação Física (vou mudar para licenciatura, atualmente sou do Bacharelado) aqui no Brasil. Tenho interesse em realizar minha pós fora, pois além de melhorar meu inglês quero fazer esse intercâmbio. E tenho opção de Austrália, Canadá e Nova Zelândia. Mas além de tudo, ainda quero realizar meu bacharelado em Educação Física, quero sua opinião sobre universidades, algo do tipo, li tudo que escreveu por aqui. Mas se puder me ajudar com algo, ficarei grata. Abraços.

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