Essa semana a entrevistada dos Ciência Sem Fronteiras é a Maríllia Benevides que tem 22 anos, de Fortaleza Ceará e estudante de Arquitetura e Urbanismo na UNIFOR. Ai que delícia que deve ser ganhar uma bolsa de estudos dessa! Sonho para muitos e realidade pra essa minha conterrânea afortunada.

1) Seu nome, cidade onde mora, há quanto tempo e quem mora com você?

Meu nome é Maríllia Benevides, estou morando em Melbourne desde outubro do ano passado, inicialmente morei com quatro brasileiros, um chinês e um australiano; mas atualmente divido apartamento com três brasileiras que também vieram pelo Ciências sem Fronteiras.

2) Como surgiu a ideia de vir pra Austrália e qual cidade escolheu? E por que escolheu essa cidade?

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O sonho de vir para a Austrália existe desde pequena. Sempre me interessei em fazer um intercâmbio e no ensino médio, quando julguei ter a idade apropriada para se fazer um intercâmbio, comecei a pesquisar a respeito e a Austrália sempre foi o destino dos meus sonhos. No entanto, creio que por ser um país mais distante era um investimento muito alto e acabou não sendo possível na época. Quando comecei a faculdade fiquei sabendo do Ciências sem Fronteiras, foi então que vi nesse programa a oportunidade de realizar o meu sonho. Escolhi Melbourne primeiramente pelas universidades, pois as que mais me identifiquei ficavam aqui e, depois, pelo motivo de ser uma cidade mundialmente famosa por sua qualidade de vida.niversidade melbourne4 Entrevista: Maríllia Benevides do CSF em Melbourne Entrevista: Ciência Sem Fronteiras em Melbourne niversidade melbourne4

3) Como foi o processo do visto?

Pra tirar o visto foi bem tranquilo a agência de viagens responsável pela gente aqui na Austrália praticamente resolvem  tudo pra gente. O visto é online, enviamos os documentos que eles exigem, pagamos a taxa e o resultado sai poucos dias depois. Ah, é necessário também fazer alguns exames médico para que eles tenham conhecimento de como está a nossa saúde e pronto é isso.

Eu estudo na Monash University, que recentemente foi eleita a 2ª melhor Universidade da Austrália, e estou dando continuidade ao meu curso, Arquitetura e Urbanismo.

4) Qual foi a sua matéria favorita até agora?

A matéria que estou mais gostando e também da qual tem sido muito divertida se chama Contemporary Glass. Lá aprendemos a mexer com vidro; desde cortar até modelar e fazer escultura. Aprendemos também, no meu caso, como usá-lo atualmente na contemporaneidade em construções e em design de interiores. Meu trabalho final é criar e construir uma escada escultural feita de vidro e está sendo bem desafiador, diferente de tudo que já fiz no Brasil.

5) Poderia fazer uma comparação entre a sua universidade e a universidade brasileira?

Bom, o que mais me chamou atenção na Monash foi o nível de ensino, do qual acho ser bem mais puxado do que minha faculdade no Brasil. No entanto, na minha opinião, o método de ensino de Arquitetura no Brasil é bem mais relevante, creio ter me decepcionado um pouco quanto ao curso de Arquitetura em si, pois eles dão atenção para coisas não tão relevantes para nós que iremos projetar no Brasil. Um exemplo é o fato de darem muita importância a fachada esquecendo um pouco da funcionalidade, o que no Brasil é  um fator muito importante a se considerar. No entanto eles dão diversas oportunidades como fazer parte de Entidades que são como grupos do seu curso onde promovem desde palestras e congressos até viagens. Eles estão sempre fazendo atrações para integrar os alunos, como churrascos na faculdade, semanas esportivas e de cultura e até festas para comemorar o fim das provas. Outro fator que, pra mim como estudante de arquitetura, chamou muita atenção é o fato de existir uma semana reservada para estudos antes da semana de entrega de trabalhos, o que ajuda muito os estudantes a terminar tudo a tempo. E por último, a faculdade está muito bem preparada para receber alunos estrangeiros, contando com apartamentos destinados apenas para isso, além do curso de inglês promovido pela propria faculdade ter sido fundamental pro meu aprendizado dessa língua.

6) Como é sua semana (timetable) e como são as suas aulas?

A timetable é montada por nós de acordo com matérias que queremos fazer e também horários que preferimos. Eu tenho aula de segunda a quinta-feira, pelo horário da tarde e as aulas são divididas entre Lectures e Practices. Lectures são aulas teóricas que são também disponibilizadas na internet, não obrigando os alunos a comparecer e as Practices são as aulas práticas que exigem presença. Como faço arquitetura, praticamente não tenho Lectures, sendo a grande maioria aulas práticas.

7) Dá pra conciliar os estudos com o trabalho?

O programa não nos permite trabalhar, pois o foco é apenas os estudos. O que temos a oportunidade é de fazer um estágio, durantes as aulas substituindo uma matéria ou depois dos dois semestres estendendo a vigência da bolsa aqui na Austrália. Porém, muitos alunos não chegam a fazer estágio visto que os estudos aqui já são bem puxados o que acaba por nos deixar sem tempo.
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8) O que você mais gosta da cidade que esta morando?

Gosto de tudo aqui em Melbourne, sou completamente encantada com essa cidade. Desde o transporte público perfeito, com opção de trams, trens e ônibus sempre pontualíssimos; até a cidade perfeitamente arborizada, com diversos parques maravilhosos e calçadões para correr ou passear de bicicleta. Melbourne tem também uma ampla cadeia de restaurantes de diversas nacionalidades, tais como tailandeses, chineses, brasileiros, etc. E por isso é possível identificar gente de toda parte do mundo, fazendo de Melbourne uma cidade multicultural. E por ultimo a segurança, nunca estive tão feliz nesse quesito, o direito de transitar e de ir e vir sem correr riscos é uma sensação maravilhosa.

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9) Como você avalia a experiência de vida de estudar no exterior? Ficaremos muito contentes se decidir participar.

Tem sido a experiência mais fantástica da minha vida e agradeço o dia em que tomei a decisão de vir. Poder realizar um sonho de conhecer o país que sempre admirei de longe e ainda poder aprender um pouco sobre seu curso com uma concepção diferente, é algo que só tem como acrescentar, realmente não tem preço. Tem sido de um engrandecimento pessoal imensurável, pois é a primeira vez em que moro sozinha e logo tão longe assim da minha família,  está fazendo com que eu crie uma independência que antes não tinha. Sem contar com a maturidade adquirida ao resolver tudo sozinha. A saudade também é algo que ajuda a amadurecer e dar valor as coisas que realmente lhe são essenciais. Saio de casa todos os dias sabendo que surpresas me aguardam, pois viver aqui é isso: se encantar e redescobrir diariamente.

 

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Muito obrigada Marília pela sua contribuição ao Blog e é muito bom ver que você esta aproveitando ao máximo pra crescer não só profissionalmente mas como pessoa. Sucesso!

 

Imagens: Marília e enochliew.

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1 COMMENT

  1. Olá novamente 😀
    Eu tive uma dúvida hoje: caso eu tenha mulher e filho e consiga um bolsa de estudo.
    Eu posso levá-los comigo (são os meus dependentes) ou levá-los será por minha conta?
    Obrigado.

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